+ Qual a razão da primeira rebeldia de Miley não ter resultado?
Posted on: 04 Outubro, 2013 by aiav Filed Under: Artigos, CDs Comentários: Nenhum comentário

Três anos antes de “Bangerz,” a estrela pop tentou distanciar-se da sua imagem de Hannah Montana. Através do falso começo da carreira adulta de Miley.

Miley Cyrus tem feito um bom trabalho a chocar pessoas recentemente. Primeiro, o seu single de retorno “We Can’t Stop” e o seu vídeo, repleto de calão hip-hop (e o melhor produtor hip-hop), com referências a drogas e uma introdução forçada da palavra “twerk” caso alguém tenha perdido a subida ao estrelato de Lil Jon e os Ying Yang Twins há uma década atrás. Para aqueles que não viram o vídeo, houve a atuação dos MTV Video Music Awards, no qual Miley vestiu-se escandalosamente, roçando-se nos seus dançarinos e Robin Thicke que fez alguns adultos ficarem desconfortáveis com a sexualidade agressiva. E, finalmente, o vídeo de “Wrecking Ball,” filmado por Terry Richardson que incluía uma Miley nua em cima do objeto titular, um vídeo tão circulado que ajudou a música a chegar ao primeiro lugar da tabela Hot 100.

Para aqueles que ainda se lembram de Miley Cyrus como a querida, rapariga do sul que tornou-se a queridinha da nação como Hannah Montana, isto é muito para digerir. Embora que, para aqueles que têm prestado atenção ao que Cyrus tem feito após sair da Disney, isto não é nada de novo.

Havia o vídeo na TMZ em 2010, no qual Miley celebrou o seu 18º aniversário ao fumar sálvia com um cachimbo, e a foto publicada no site em 2012, na qual Cyrus fingiu lamber um bolo com a forma de um pénis na festa de aniversário do seu ex-namorado, Liam Hemsworth. O filme “LOL”, no qual Cyrus era uma estudante do ensino secundário que experimenta beber, fumar e fazer sexo, muitas das vezes sem conhecimento da mãe. E depois houve a atuação muito bizarra de Miley de “Rebel Yell” de Billy Idol no “VH1 Divas,” na qual a cantora, a estrear o seu novo cabelo curto, vestiu-se de couro e agarrou os genitais repetidamente. O comportamento “mau” de Miley nestes últimos meses não é nada de novo, e de facto, foi algo que Cyrus queria fazer com o seu álbum anterior.

“Can’t Be Tamed” foi lançado em Junho de 2010, no ponto alto da popularidade de Cyrus. Ela estava a sair da época do seu maior single da sua carreira, “Party In The U.S.A.” em 2009, e ela tinha acabado de filmar a temporada final de “Hannah Montana,” o programa que a tornou numa estrela. Ela ainda era uma miúda, só fazia 18 anos no fim do ano, e maior parte da sua base de fãs era criança ou adolescente. Mas já haviam sinais de sexualidade e idade adulta – mais controversa, a sua atuação de “Party” nos Teen Choice Awards no topo dum carrinho de venda de gelados, que tinha um varão, e ainda mais cedo que isso, uma sessão fotográfica para a Vanity Fair na qual a rapariga de 15 anos estava topless (mas com um lençol a tapá-la) com o seu pai Billy Ray, ambos fizeram os fãs da rapariga de 15 anos ficarem desconfortáveis.

O vídeo para o seu primeiro single “Can’t Be Tamed” parecia o começo de tudo isto para Miley, o seu distanciamento oficial da sua imagem limpa e uma tentativa de ser vista a sério como uma artista pop adulta. O vídeo, com uma Miley numa jaula num museu, era uma versão entre “I’m Slave 4 U” de Britney Spears e “Paparazzi” de Lady Gaga, com Miley vestida numa roupa interior preta (e em algumas cenas, um corpete), dançando provocativamente com os seus dançarinos de ambos géneros, e literalmente a usar as asas para sair da sua jaula.

O vídeo foi surpreendente, mas pouco chocante. Cyrus parece estar num molde de quebrar taboos no vídeo, mas ela ainda não tem coragem nas suas convicções. Os momentos de manchetes são apresentados em pequenas frases, e Miley, ainda com cara de bebé está insegura com a sua imagem – a rapariga de cabelo escuro, muito produzida para o vídeo de “Can’t Be Tamed” não é reconhecida como a quebra-corações adolescente ou a rapariga universitária – parece que quer rebelar-se mas sem saber contra o quê, ou quem. O vídeo tem uma imagem de museu, incluindo a introdução de Miley como a espécie “Avis Cyrus” e parece muito incoerente, demasiado confuso para se fazer um comentário forte.

O álbum Can’t Be Tamed encontra-se como um limbo, no qual Cyrus claramente quer dissociar-se de Hannah Montana, mas não parece ter uma forte ideia de para onde ir. Ela tenta fazer isso com diferentes “identidades” – a faixa de abertura do álbum “Liberty Walk” tenta alcançar um estilo de Gaga, enquanto o arrogante, rap de “Permanent December” é quase comicamente uma Ke$ha – mas não são praticamente iguais. Enquanto isto, as suas tentativas de ser uma cantora/compositora mais madura – nos hinos de amor “Forgiveness and Love” e “My Heart Beats for Love”, este último supostamente inspirado pelo cabeleireiro Miley, ou a sua balada clássica com veneno “Every Rose Has Its Thorn “- um fracasso, como qualquer número de canções de adolescentes cuja artística excede temporariamente o seu alcance.

Um apelo mais notável para fugir no álbum Can’t Be Tamed do que a faixa-título poderia ter sido “Robot”, encontrada enterrada dentro da segunda metade do álbum., A música ainda penetra com o seu coro de gritos “Parem de tentar viver a minha vida por mim / Eu preciso respirar, eu sou não o vosso robot / Parem de me dizer que eu sou parte desta grande máquina / Eu estou a libertar-me, não podem ver?” Desta vez, a rebelião parece proposital, e versos como “Fica aqui, vende isto e promove a tua marca” e “Eu fui ensinada a pensar que o que eu sinto não importa” mostra a frustação reprimida  de estar no centro do império de TV da Disney após meia década, incrivelmente clara.

Que Miley iria decidir fazer uma pausa da música após Can’t Be Tamed que vendeu apenas 348 mil cópias até a data, de acordo com a Nielsen SoundScan, não foi nenhuma surpresa. Numa entrevista no final 2009 para a MTV, ela referiu-se ao próximo “Tamed” como o seu “último álbum pop”, dizendo: “Eu que quero que este seja o meu último disco por um tempo e quero ser capaz de fazer uma pausa para conhecer todos os tipos de música que eu realmente amo… em poucos anos, quando eu crescer, assim como os meus fãs, eu não vou ter que me focar tanto nisso.” Poucos meses depois, ela ainda falou sobre o seu futuro intervalo, explicando que ela não estava realmente a sentir a sua música em “Tamed”, dizendo: “Quanto mais eu faço músicas que não me inspiram verdadeiramente, mais eu me sinto como se eu não me misturasse com os outros.”

Numa última análise, esta é a principal diferença entre Can’t Be Tamed e We Can’t Stop, entre a Miley de 2010 e a Miley de 2013. Há três anos, ela queria que soubéssemos que ela estava a libertar-se da sua antiga imagem, mas ela não tinha plano de verdade ainda. – apenas um monte de imagem e música significantes emprestados dos seus antecessores pops. Agora, com We Can’t Stop, Wrecking Ball e tudo o mais que tem sido parte da experiência recente de Miley Cyrus, ela está a ser igualmente rebelde, mas agora sente-se firmemente no controle da sua música e a sua imagem, ela mesma se representa numa forma exclusiva dela. Podem não concordar com o lugar onde ela vai, mas pelo menos parece saber como chegar lá, e ela vai continuar a espalhar confortavelmente as suas (agora apenas metafórico) asas com ou sem a vossa aprovação.

Fonte | Tradução: MileyForeverFans






Comenta

Comment: