+ Segunda parte da entrevista para a Rolling Stone
Posted on: 29 Setembro, 2013 by aiav Filed Under: Curiosidades, Entrevistas, Outros Comentários: Nenhum comentário

Foi divulgada a segunda parte da entrevista que Miley deu para a Rolling Stone.

Confere a entrevista legendada:

SOBRE A ATUAÇÃO NOS VMAS:
Eu sei o que estou a fazer. Eu sei que estou a chocar-vos. Quando estou vestida com ursinhos, é porque eu acho que é engraçado. Eu estava a dizer ontem, eu tinha esta obsessão sobre esta personagem que é como um bebé adulto. Como se vissem um bebé a fazer uma coisa muito deformada e estranha, mas há algo assustadormente sexy sobre ele. Então, quando eu estou nesta roupa de urso de peluche, eu sou tipo um bebé assustador e sexy. Mas eu esqueço-me que há, tipo, pessoas em Kansas a ver o show. Que as pessoas que se sentam com os seus filhos à frente da TV e ficam “Oh, uma cerimónia, vamos ver.”

SOBRE RAÇA E MÚSICA POP:
Eu e o Mike [produtor] estávamos a falar sobre isso. Ele disse: “Para mim, a minha maior conquista foi trabalhar com uma rapariga branca, mas para uma rapariga branca trabalhar e juntar-se com produtores negros, é ser estúpida.” Ele diz “Porque é que se eu trabalhar contigo é uma descoberta, mas se trabalhares comigo é porque estás a tentar ser negra?” É um duplo padrão. Eu realmente não percebi isto, mas as pessoas ainda são racistas. É uma loucura. Como se eu tivesse ido aos VMAs com dançarinas brancas e feito o “Cha Cha Slide” – mesma roupa, mesmo tudo – não teria sido mau. Mas por causa de com quem eu estava as pessoas ficaram chateadas. Porque elas eram raparigas da discoteca. Elas tinham rabos grandes. Eles fizeram o twerk. Era isso que eu queria – Eu quero raprigas reais lá em cima, que possam realmente festejar. As meninas do Baker [grupo de dança backup, L.A.Bakers] não querem saber de mim. Elas amam-me, mas não me estão a engraxar. Elas estavam ansiosas por não dançar só na discoteca.

SOBRE DROGAS:
Acho que a erva é a melhor droga do mundo. Uma vez, fumei um charro com peyote nele, e eu vi um lobo a ouvir à lua. Hollywood é uma cidade de cocaína, mas erva é muito melhor. E Molly, também. Essas são as drogas felizes, drogas sociais. Elas fazem querer estar com os amigos. Estás num céu aberto. Não ficas dentro de uma casa de banho. Eu realmente não gosto de cocaína. É tão nojento e tão sombrio. É tipo, onde estás, nos anos 90? Ew.

SOBRE ESTAR DEBAIXO DOS HOLOFOTES:
Eu disse que ia fazer uma pausa durante um ano antes de fazer este álbum. Mas é difícil fazer uma pausa. É quase deprimente quando não se está a trabalhar. Estás tão habituado com as pessoas a chamar o teu nome, e a energia, e quando não tens mais aquilo… É por isso que eu nunca reclamo sobre pessoas que querem autógrafos ou fotos. Porque se houvesse dias em que ninguém pedisse, eu provavelmente ficaria “O que está a acontecer? Será que as pessoas não gostam de mim?” Detesto os paparazzi – mas quando não estão sentados lá à espera, ficas “Quem é a maior notícia de hoje? De quem estás a tentar tirar uma foto?

SOBRE O VÍDEO DE WRECKING BALL:
É o oposto do VMA. É como o vídeo de Sinead O’Connor [para “Nothing Compares 2 U”], mas como uma versão mais moderna. Eu queria que fosse sólido, mas muito bonito – é o que Sinead fez com o seu cabelo. O truque é deixar a câmera à tua frente, por isso quase parece que estás a olhar para alguém a chorar. Acho que as pessoas vão odiá-lo, eles vão ver o meu rabo e vão ficar, “Oh meu Deus, eu não posso acreditar que ela fez isto” – e então, quando chegarmos ao refrão, eles verão uma pequena lágrima e será, “F*da-se!” Acho que vai ser um daqueles vídeos icónicos também. Eu acho que é algo que as pessoas não vão esquecer. Espero que um artista daqui a 30 anos diga algo “Ei, lembras-te daquele vídeo de Miley Cyrus? Temos que fazer algo assim.

Aquela marreta era muito pesada, no entanto. Os meus braços ficaram muito doridos no dia seguinte. E eles não me disseram que foi pintado, então eu estava a lambê-lo, e eles “Não lambas isso!

SOBRE A SUA FAMOSA LÍNGUA:
Eu ponho a minha língua para fora porque eu odeio sorrir nas fotos. É muito estranho. Parece tão falso. Agora as pessoas esperam isso – ficam “Põe a língua para fora!” É apenas mais fácil assim. Tirar fotos é tão embaraçoso. Mas há também algo sobre isto que eu acho que é fixe. Qualquer outra rapariga fica tão séria – então aquele é o meu momento no tapete vermelho, eu estou no meu vestido e estou linda. Há uma capacitação sobre o que estou a fazer agora. Especialmente pelo “short hair don’t care” (cabelo curto, não quero saber). Eu acho que está a ajudar as raparigas. Porque não algo que defina o que é a beleza.

SOBRE VIVER EM LOS ANGELES:
A coisa sobre LA é que praticamente está sempre bom tempo aqui. Eu trabalhei no meu álbum em Philly, e eu gostava de ir de comboio para Nova Iorque no fim-de-semana, e eu saia do comboio e queria morrer. Eu simplesmente odiaria a minha vida. E eu sou de Nashville, que é meio semelhante – quando está quente, é miserável. Mas em Nashville, pelo menos, tem chuva no verão. Eu nem me lembro a última vez que choveu aqui. Eu sempre quis saber como começam aqueles incêndios em Los Angeles, então atiro o meu cigarro para fora da janela ou algo assim, e fico “Aqui está.

SOBRE ANIMAIS:
Eu amo animais, mas eu realmente não gosto de montá-los. Tipo, eu não amo estar em cima de um cavalo – não é minha coisa. Sinto-me muito mal. Tipo, eu só quero cuidar dele. Eu realmente não quero pô-lo a trabalhar. Mas gatos – gatos são assustadores. Oh meu Deus, gatos são assustadores. Toda vez que vejo um gato, eu acho vem para cima de mim. Ou pior. Eu nunca vejo lealdade em gatos. Eles vão arranhar-te, e, a seguir fogem. O mesmo com cães pequenos. Sabias  que Yorkies foram criados para matar ratos no palácio da rainha? Eu tinha um Yorkshire Terrier e se eu fosse um rato, ele definitivamente me teria comido. E Chihuahuas são os animais mais assustadores do planeta. Eu tenho pavor de Chihuahuas.

SOBRE VER TELEVISÃO:
Eu gosto muito de Workaholics. American Horror Story é minha série favorita- é tão boa, tão assustadora. Acho que vou começar a ver Downton Abbey, mas eu não sei se é o meu tipo de série. Eu sempre achei muito moderna. E Breaking Bad eu comecei a ver, mas eu não tenho sido capaz de acompanhar muito. Ele tosse em demasia. Eu estou na primeira temporada, e a tosse está a deixar-me louca. Tipo, nós entendemos. Estás a morrer. Precisas realmente de uma cena inteira de dois minutos com outro ataque de tosse? É muito. Em cada situação má, como é que ele fica? Só começa a tossir.

SOBRE TRABALHO HUMANITÁRIO:
Eu faço aparelhos auditivos para crianças surdas no Haiti. Nós vamos às escolas, vemos as crianças que precisam de aparelhos auditivos, e depois voltamos para lhes dar. É a experiência mais louca de todas, porque entras e é tão tranquilo, porque ninguém nunca falou. Há pessoas que têm 90 anos de idade que nunca disseram nada. E depois sais e fica alto! Eles ficam todos a gritar uns com os outros, porque eles conseguem ouvir agora. É tão incrível. Quando fui pela primeira vez, eu estava a usar, tipo, botas, mas agora eu voltei de chinelos, a tocar nas mãos de todos, fiquei louca com rum. Haitianos são impressionantes. Eles não têm ideia de quem eu sou. Eles sabem que eu sou alguém, mas não sabem o quê. Eles só sabem que estão a vender as minhas mochilas na rua.

SOBRE A OFENSA DA MÍDIA:
Eu acho que é tudo marketing. Se um site publica “Nós amámos a performance da Miley!“, eu não acho que as pessoas vão ler isso. “Atuação linda de Miley com ursos de peluche!” – Ninguém vai ler isso. Então, eu acho que é a mídia a levar as pessoas ao que querem, ao contrário das pessoas mudarem a mídia. E o que me deixa algo doente é, o julgamento de Trayvon Martin há mais que dois meses atrás. Foi muito falado – mas foi falado mais rapidamente os VMAs. E isso é realmente triste. Por cerca de dois dias, estava no Twitter e tudo, todos tinham as suas fotos como Trayvon – e, em seguida, dois dias depois, onde estão? Quem se importa? Até eu fiquei tipo, “Eu quero ajudar a família dele quando for o momento apropriado.” Mas, então, as pessoas simplesmente se esqueceram. Varreu-se da mente deles. Vamos para a próxima coisa, o nosso próximo problema. É tipo, “Porque é que não estamos a lidar com isso ainda? Porque é que não estamos ainda de luto pela perda?

SOBRE RELACIONAMENTOS:
É tudo um vai-e-vem. Tipo, quando os meus pais estão bem, eles estão bem, e quando eles não estão, eles não estão, mas eles sempre voltam aos trilhos. Eles nunca colocam pressão sobre eles mesmos. E eu acho que é a melhor maneira. É assim que eles lidam mesmo com tudo o que já passaram. A melhor coisa que os meus pais sempre me ensinaram é que não precisas estar sempre colado a alguém. Não tens que estar de mãos dadas todo o tempo. O meu pai pode ir relaxar a Nashville por um tempo, e minha mãe pode ficar em LA, mas eles ainda estão a andar lado a lado. E enquanto estiveres no mesmo caminho, podes estar um pouco mais à frente, e podes estar um pouco atrás.

SOBRE VOLTAR PARA A ESCOLA:
Depois que eu acabei [Hannah Montana], eu pensei que eu poderia ir para a NYU ou algo assim e estudar fotografia. Ou para Savannah – eles têm uma escola muito boa em Savannah. Eu amo fotografia. Eu tenho uma Canon 5D. Eu quero co-dirigir algo em breve. Quando eles dizem: “Altera esta lente para tal milímetro,” Eu quero saber o que eles estão a dizer. Mas eu nunca vou ser capaz de ir à escola e ter uma vida normal. Eu gosto da maneira como Mary Kate e Ashley o fizeram. Elas são milionárias desde crianças e decidiram que não era o futuro que elas queriam. Por isso elas fizeram a moda, e misturaram-se na NYU. Eu não acho que as pessoas as tratam de modo diferente. Eu acho que em Nova Iorque é fixe não querer saber.

SOBRE O SEU EQUILÍBRIO ENTRE  VIDA E TRABALHO:
Eu tento não trabalhar em demasia aos domingos. Pelo menos nas noites de domingo, eu tento relaxar um pouco. Eu chamo-lhe “funday”. Antes de ter um chef de cozinha, eu pedia comida chinesa e relaxava à beira da piscina. Todos os domingos, eu tento ficar na minha piscina pelo menos um bocado e relaxo com os meus cães. Ter um segundo para redefinir minha mente, preparar-me para segunda-feira. Não fazer nada, apenas estar em casa. Fico ansiosa por esses dias.

SOBRE A SUA VERSÃO DO ESTRELATO:
Eu quero ser a rapariga fixe de quem toda a gente quer ser amigo. Quero que as pessoas que vêem os meus concertos ou os meus vídeos fiquem assim: “Ela parece ser a pessoa mais divertida para sair. Quero ser o melhor amigo dela. Quero ir a uma festa com ela.” É tipo, se estás a sair com Beyoncé, é como se saísses com uma deusa. Ela é como uma verdadeira rainha. É um reino diferente. A minha coisa é o oposto. A minha rotina é caseira.

SOBRE A HESITAÇÃO DO SEU PAI SOBRE ELA ESTAR NO NEGÓCIO:
Acho que se ele soubesse que eu iria ser bem sucedida ele teria deixado. É mais do que ele não querer necessariamente que eu o faça. É quase como o Toddlers and Tiaras – deixa-se todas as crianças embonecadas e coloca-se muita pressão para que elas ganhem Ele não me queria fazer sentir assim… a palavra exata não é “concurso”, mas eu acho que ele não queria que eu me sentisse assim de uma certa maneira. Mesmo quando se trata de crescer – tipo, eu não me vestia sozinha até aos 16 anos. Eu sempre tive uma estilista. Então, eu acho que meu pai queria que eu me descobrisse por mim mesma. Para passar pelas minhas alturas difíceis sem que as pessoas fizessem zoom em cada espinha. Eu acho que ele queria que eu fosse capaz de ser criança, usar aparelho e passar pela minha fase feia, sem as pessoas a falar sobre isso. Para ser capaz de apenas sair e viver.

SOBRE SER FALADA NA IMPRENSA:
Os meus pais nunca permitiram tabloides em casa. Quando a minha mãe costumava ter assistentes ou qualquer outra coisa e lhe traziam revistas, era “Não podes trabalhar connosco. Eu não quero que os meus filhos leiam isso.” Por isso, o meu pai realmente não sabe o que estão a dizer sobre mim ou a nossa família – o que é melhor. É bom que ele não saiba como entrar no Google e todas essas coisas. O meu pai mal sabe usar o computador. Ele, literalmente, leva 45 minutos para enviar um tweet. Ele fica, “Posso tirar uma foto no meu BlackBerry? Existe uma aplicação para isso?” Eu fico: “Pai, não tens um iPhone. Nem sequer sabes o que isso significa.

SOBRE OS SEUS MODELOS:
Eu sigo as pessoas como a Dolly [Parton]. A Dolly sabe o que ela é. Ela é inteligente. Ela não é apenas uma loira com seios grandes – ela é um génio atrás disso. Ela, literalmente, veio do nada, e agora vais a qualquer lugar do mundo, e eles conhecem Dolly Parton. É algo assim, não deixes que o julgamento das pessoas defina quem tu és. Não leias os comentários e fiques nervoso. Sabe quem tu és.

SOBRE UMA VIAGEM ESPACIAL:
Eu sempre sonhei em ir para o espaço. Eu irei algum dia. Virgin Galactic está a levar uma nave no próximo ano – Estou a tentar entrar nisso agora. Eu tenho um amigo que investiu, e ele pode acertar nisso. Eu quero ser uma das primeiras. Eu achava que a única maneira de ser autorizada a ir para o espaço seria se eu fosse uma astronauta. Eu nunca pensei que seria, assim, uma viagem de avião. A qualquer altura será uma tarifa normal. Agora é tipo, um bilhão de dólares. Mas algum dia vai ser como ir para a Austrália.

SOBRE DIREITOS CIVIS:
Quando os meus filhos estiverem aqui, não haverá ninguém vivo neste planeta da época quando havia segregação. Tipo, a minha avó estava na época segregação real, quando não havia entrelaçamento. Para ela, para alguém que nasceu nos anos 30, é meio chocante ter um presidente negro. A minha avó não tinha um telefone, mesmo na sua casa. Era como ‘E o Vento Levou’. Chamadas a longa distância era a coisa mais louca de todas. Agora, a minha avó fica “Queres dizer que podes ver um vídeo no teu telemóvel?” Vai ser a mesma coisa com os meus filhos: “Queres dizer que as pessoas homossexuais não podiam casar-se?

SOBRE O SEU AMOR À MÚSICA:
Eu estou à volta da música a toda a hora. Mesmo hoje em dia, eu acordei esta manhã, fui para a minha sala de som, e fiquei a tocar. Eu sento-me lá e canto e toco o dia todo. O meu chef adora,  porque todas as manhãs eu estou lá a tocar piano. Estou a compor praticamente o dia todo. Às vezes eu acho que as outras pessoas não entendem – para eles, parece que tudo que faço é trabalho. Mas não consegues desligar disto.

SOBRE O SEU NOVO ÁLBUM, BANGERZ:
Ele será lançado daqui a pouco tempo, por isso agora eu fico a ouví-lo 20 mil vezes para ter certeza que está perfeito. Eu tenho que garantir que cada detalhe esteja perfeito. Há álbuns que as pessoas ainda estão a ouvir, como Bad de Michael Jackson, porque é fixe. Eu quero que as pessoas ouçam o meu álbum dessa maneira. Há uma parte que o Ludacris diz no meu álbum: “Se eu morrer antes do meu tempo, pelo menos eu ainda vou estar a viver através da minha música.” Isto é algo que eu já disse várias vezes. Tipo, eu tenho um CD de Pixies que é isso para mim – desde que eu tinha 16 anos, até os 18, Pixies era tudo o que eu ouvia. E eu vou ser a artista para muitas pessoas, então eu quero ter certeza que o meu álbum seja o melhor que pode ser. Estou a tentar definir um novo padrão para a música pop.






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