+ Entrevista de Miley para a Rolling Stone
Posted on: 24 Setembro, 2013 by aiav Filed Under: Artigos, Curiosidades, Outros, Revistas Comentários: Nenhum comentário

Nas traseiras de um estúdio de tatuagens em North La Brea Avenue em L.A., Miley Cyrus está quase a fazer outra tatuagem. “Tudo bem, cara para baixo,” diz o artista de tatuagens, um homem careca chamado Mojo. Miley deita-se com a barriga para baixo e põe o seu rabo no ar. Na parte de baixo dos seus pés sujos, a caneta, estão escritas as palavras ROLLING (pé direito) e $TONE (esquerdo).

“As pessoas fazem tatuagens das coisas mais estúpidas,” Miley diz. “Sabias que Alec Baldwin tem as iniciais de Hannah Montana tatuadas nele? Não, espera –  Stephen Baldwin. Ele disse que era o meu maior fã e eu disse-lhe que os meus maiores fãs têm tatuagens. Por isso ele tatuou o seu ombro.” Ela abana a cabeça. “As pessoas fazem coisas maradas.”

Para a sua primeira história de capa da Rolling Stone, Miley queria fazer algo divertido. “Eu pensei em ir jogar laser tag,” ela diz. “Mas laser tag não presta. Nós podiamos ir jogar bowling, mas temos o quê, 90 anos?” Naturalmente a próxima ideia seria fazer uma tatuagem.

“Ok, querida,” diz Mojo. “Estás pronta?”

“Pronta,” ela diz. Mojo pega na agulha, que começa a fazer barulho. “Eu odeio ver a agulha,” diz Miley. Ela mexe o seu pescoço para trás. “Doi? Doi, certo?”

Mojo: “Sim, doi.”

Estas são as primeiras tatuagens nos pés da estrela pop de 20 anos, mas ela tem muitas mais: um sinal da paz, um sinal de igualdade, um coração, uma cruz (todas nos seus dedos); as palavras “amor” dentro da sua orelha e “just breathe” acima das suas costelas; um desenho de Leonardo da Vinci no seu braço direito, as palavras “THAT HIS PLACE SHALL NEVER BE WITH THOSE COLD AND TIMID SOULS WHO NEITHER KNOW VICTORY NOR DEFEAT”. “É de um discurso de Teddy Roosevelt,” ela diz. “É sobre como as pessoas julgam quem ganha e quem pede, mas não são eles que estão a lutar.” Noutras palavras, “É sobre os críticos.”

Quatro dias antes, Miley atuou nos VMAs. Talvez já tenham ouvido falar disso. Muitas pessoas ficaram chateadas. Miley fez coisas com um dedo de espuma que fez com que o inventor do dedo de espuma a acusasse de ter “degradado” um “icon.” Maior parte das pessoas pensaram que era culpa da Miley, mas ela não quis saber. É o que a frase de Teddy Roosevelt é sobre. Haters gonna hate.

Mojo aproxima-se com a agulha. No rádio, “Apache,” do Incredible Bongo Band, está a tocar. Ele escreve o “r” e depois o “o”. “Como estás até agora?” ele pergunta.

“Bem,” Miley diz, cerrando os dentes.

Depois ele faz o “l”. “Filho da mãe!”

No sofá, um rapaz chamado Cheyne está a rir-se. Cheyne, 22 anos, é o assistente de Miley e também o seu melhor amigo. Eles conhecem-se há algum tempo, mas Miley só o contratou no ano passado, antes de ela ir a Filadélfia e a Miami para gravar o seu álbum. Cheyne trabalhava no Starbucks nessa altura. “Eu fiquei tipo, ‘Que se lixe,'” Miley diz. “O meu melhor amigo não pode trabalhar no Starbucks! Nós estamos a trabalhar juntos desde esse momento.”

Mojo, no “g”, atinge um nervo. “Owwww!” Miley grita.

“Estás bem?” Mojo pergunta.

“Estou viva,” ela diz.

“OK. Estamos quase no fim.”

Mojo faz uma pequena pausa enquanto Miley se recompõe e depois acaba o trabalho. “Fácil!” Miley diz. Depois, Mojo pergunta se ela lhe pode fazer um favor. Ele tira o seu telemóvel e liga à sua filha de 10 anos, Josie, que começou o 5º ano.

“Que pai fixe!” diz Miley. “FaceTiming desde a loja de tatuagens.”

A cara de Josie aparece no ecrã. “Olá, papá!” ela diz.

“Olá, anjo querido!” diz Mojo.

Miley aproxima-se. “Olá! Ouvi dizer que fazes uma careta como a minha!” Josie sorri e põe a sua língua de fora e Miley faz o mesmo. “Yay!” Miley diz.

“OK, diz boa noite,” diz Mojo.

“Boa noite!” diz Josie.

“Adios!” Miley diz. Mojo desliga a chamada e Miley sai da mesa e aterra de pé.

“Filho da mãe!” ela diz.

Nesta era de polarização nacional, há uma coisa em que todos concordamos: É uma altura interessante para se ser Miley Cyrus. Ela tem lidado com a fama desde que nasceu, primeiro como filha da estrela country Billy Ray Cyrus, cuja música “Achy Breaky Heart” foi para 1992 o que “Blurred Lines” é para 2013, e depois como um popular ícone da Disney como Hannah Montana. Mas tudo isto foi uma preparação para a Miley 3.0, uma abanadora da língua, twerker e estrela pop crescida, quer queiram, quer não.

Miley tem plantado sementes para a sua grande transição para a idade adulta há 5 anos. Ela tinha 15 quando semeou o seu primeiro escândalo, quando posou para a Vanity Fair usando um lençol que a fez parecer topless. (“Eu sinto-me tão envergonhada,” ela disse num comunicado. “E peço desculpa aos meus fãs, os quais eu me importo tanto.”) Um ano mais tarde veio a atuação com um varão nos Teen Choice Awards (o “varão” estava num carrinho de gelados). No ano seguinte ela foi fotografada em Espanha a beber uma cerveja aos 17 anos, e um mês após isso, a TMZ postou um vídeo dela a fumar num cachimbo. (Miley alegou que era legal, salvia.) E mesmo assim, aos olhos de milhões de pessoas, ela ainda é a Hannah Montana – o que pode ser parte do seu problema.

Na manhã após a loja de tatuagens, Miley mandou uma mensagem: “Tudo bem? É a Miley.” Ela quer saber se posso ir à casa. “Talvez às 17? Nós podemos encomendar comida e coisas!”

A casa de Miley é em Toluca Lake, entre Burbank e Studio City. É a mesma casa de quando os Cyrus se mudaram durante a altura de Miley começar a trabalhar em Hannah Montana. Ela viveu em casa até aos 18 e depois comprou a sua própria casa em Hollywood Hills, como muito vidro e mobília fixe e um aquário e uma lareira. Mas ela não se sente muito protegida sozinha, e depois de um fã tentar saltar a sua vedação usando o boneco do cão dela no seu pescoço, Miley decidiu que era altura de sair. Ela foi viver para a sua casa antiga, e os seus pais foram viver a um quarteirão na mesma rua. Agora ela vive com os seus quatro cães adotados (Happy, Bean, Floyd e Mary Jane). Mas Miley diz que ela não vai dormir no maior quarto: “É o quarto dos meus pais!”

Também há duas prateleiras de roupas numa das suas salas de estar que pertencem a Liam Hemsworth, 23 anos, um ator australiano que ela conheceu no set do seu filme em 2010. O casal estava noivo, mas a meados de Setembro eles anunciaram o fim da relação.

O bairro não é o que esperam, muito suburbano, muito Valley, muito Old Hollywood. Bob Hop viveu na casa atrás da deles. Miley nunca o conheceu, mas conheceu a sua viúva, que viveu lá até morrer em 2011. “Miss Dolores,” Miley diz. “Ela era party-rocking até ao fim! Às veezes eu passava lá à beira e via esta gente toda vestida como flappers. Eu fiquei, ‘Isto é verdade – ou são todos fantasmas?'”

Agora os seus vizinhos são mais contemporâneos. “A mãe dos filhos de Diddy vive mesmo ali,” Miley diz, a apontar além da vedação à frente da sua piscina. E no fim da rua temos o Steve Carell, que tem dois pré-adolescentes e não parece ser o maior fã da Miley. “Ele olha-me sempre de lado porque eu conduzo muito depressa,” Miley diz. “No outro dia eu estava a fazer marcha-atrás e eu quase que acertava num monte de coisas, e eu estava a ficar mesmo nervosa porque eu via-o a aproximar-se” – ela cruza os braços e solta um grande e chateado suspiro. “Eu fiquei, oh, meu Deus, o Dan no Real Life está a olhar para mim agora!”

Ela acabou de voltar de Nova Iorque, onde ficou durante uns dias depois dos VMAs. Ela não se apercebeu do quão grande foi a sua atuação até ela ver as notícias. A sua atuação do medley do seu single “We Can’t Stop” e “Blurred Lines” de Robin Thicke dominou a TV por cabo nessa semana, fez milhões de GIFs e arrecadou 161 queixas ao FCC. (Spring, Textas: “Ela apalpou as partes íntimas – sem hestiar.” West St. Paul, Minnesota: “Múltiplas poses sexuais, indecentes, desde apalpar os seus genitais, usar um dedo de espuma como dildo e lamber o rabo de um urso de peluche.” Dallas: “Dança pornográfica por Miley Cyrus. Yuck! Não vou listar detalhes. DEMASIADO NOJENTO.”) “Eu acho,” diz Miley, “é uma altura importante para não me pesquisar no Google.”

Miley pensou que havia uma hipótese do canal desligar-se durante a atuação, mas ela não esperou tanto choque. “Honestamente, aquela foi a nossa versão MTV,” ela diz. “Nós podiamos ter ido mais longe, mas não fomos. Eu pensei que era sobre isso que os VMAs eram sobre! Não são os Grammys nem os Oscars. Não é suposto apareceres num vestido formal, estilo Vanna White” – uma indireta à Taylor Swift. “É suposto ser divertido!”

Miley admite que a sua atuação com Thicke ficou um bocado – a sua palavra – “atrevida.” Mas ela tem um bom ponto: “Ninguém fala do homem atrás do rabo. Há muito ‘Miley twerka no Robin Thicke,’ mas nunca, ‘Robin Thicke encosta-se à Miley.’ Eles só falam de quem se curvou. Obviamente há um duplo padrão.” Ela estava especialmente deliciada com a crítica de Brooke Shields, que fez de mãe de Miley em Hannah Montana e chamou à atuação dos VMAs “desesperada.” “Brooke Shields esteve num filme onde era uma prostituta aos 12 anos!” Miley diz com um riso.

“A América é tão estranha no que pensam que é certo e errado,” ela continuou. “Tipo, estava a ver Breaking Bad no outro dia, e eles estavam a cozinhar metanfetaminas. Eu, literalmente, conseguiria cozinhar metanfetaminas à custa da série. É um ‘como fazer.’ E eles censuraram a palavra ‘fuck.’ E eu fiquei, a sério? Eles mataram um homem, desintegraram o corpo dele em ácido mas não podem dizer ‘fuck?’ É como quando eles censuraram ‘molly’ nos VMAs. Olhem para o que eu estou a fazer e vão censurar ‘molly?’ Como queiram.”

Miley admite que antes da emissão ela sentia-se um bocado nervosa. Mas depois ela recebeu uma visita no seu camarim que a fez sentir melhor. Kanye West tinha visto os seus ensaios e queria falar com ela antes de ir para o palco. “Ele entrou e disse, ‘Não há muitos artistas em quem acredito a não seres tu agora,'” ela lembra-se. “O quarto todo ficou silencioso. Eu disse, ‘Yo – podes dizer isso outra vez?!” Ela ri-se. “Eu continuei a repetir aquilo vezes sem conta na minha cabeça, fez-me não ficar nervosa.”

Depois do show, Miley e Kanye encontraram-se em Manhattan num estúdio para trabalhar no remix da música dele “Black Skinhead.” No dia seguinte ele mandou a mensagem: “Ele disse, ‘Eu ainda não consigo parar de pensar na tua atuação,’ Miley diz. Ela também mencinou o par de pantufas de pelo Céline que ela comprou que estavam estragados e Kanye comprou mais cinco pares. “O Kanye é o melhor,” ela diz. “Eu tenho uma boa relação com ele agora. É bom ter alguém a quem possas ligar e estar, ‘Yo, achas que eu devo vestir isto?’ ‘Achas que eu devo de ir para o estúdio com este homem?’ ‘Achas que é fixe?’ Isto é o que os manos devem fazer.”

Miley não está incomodada com as pessoas que dizem que a sua performance foi um desastre. “Eu não estava a tentar ser sexy,” ela diz. “Se eu estivesse a tentar ser sexy, eu podia ter sido sexy. Eu consigo dançar bem melhor do que aquilo.” Ela sabe que pôr a língua de fora não é quente e que aqueles totós não ficam bem (“eu pareço uma criatura”). E ela sabe que é ridículo fazer twerk. “As pessoas dizem, ‘Miley pensa que é uma rapariga negra, mas ela não tem rabo,'” ela diz. “Eu peso 50kg! Eu sei! Agora as pessoas estão sempre à espera que eu apareça e faça twerk com a minha língua de fora todas as vezes. Provavelmente eu nunca mais irei fazer essa coisa.”

Se há algo que a incomoda sobre a polémica, foi a ideia de que a atuação foi racista, ou um “espetáculo ministrel,” porque, os críticos discutiram, ela apropriou-se de um estilo de dança comum na cultura negra e usou dançarinas negras como adereços. “Eu não deixo os meus produtores e dançarinos à minha volta ‘porque me faz parecer fixe,'” ela diz. “Eles não são os meus ‘acessórios.’ Eles são os meus manos.” Entretanto, ela discute a ideia de que ela brincar de negra é absurdo. “Eu venho de uma das cidades mais ricas da América,” ela diz. “Eu sei quem sou. Mas também sei que gosto do que ouço. Vejam agora as raparigas brancas de 20 anos – é isso que elas ouvem agora nas discotecas. Estamos em 2013. Os gays estão a casar-se, estamos todos a colaborar. Eu nunca iria pensar na cor das minhas dançarinas, ‘Ooh, pode ser controverso.’ O que querem dizer?” ela diz com um riso. “Os tempos estão a mudar. Eu acho que falta uma ou duas gerações e depois vai ser um mundo totalmente diferente.”

Pasado um bocado, Miley fica com fome, por isso Cheyne encomenda algum sushi de um sítio perto e vamos todos no carro para o ir buscar. A sua viatura nestes dias é o 2014 Maserati Quattroporte de cor de creme, que Miley comprou há algumas semanas. O lugar traseiro parece um lounge de um aeroporto sobre rodas. Nós saímos do seu portão e três paparazzi a acampar na sua rua seguem-nos. No sítio do sushi, o arrumador mantém-nos de fora enquanto Miley espera no carro.

Estacionado ao nosso lado está um Range Rover preto. “Não vou mentir,” ela diz. “Eu acho que pode ser o do Bieber.” Eu pergunto-lhe se ela sai com ele. “Um bocado,” ela diz. “Não muito. Não sou muito mais velha que ele, mas eu não quero sentir-me como a mentora dele. Mas eu ajudou-o um bocado. Porque eu tenho feito isto há já algum tepo, e já fiz a transição e ele ainda não a acabou.

“Ele está a tentar demasiado,” ela adiciona. “As pessoas não o levam a sério, mas ele consegue tocar bateria, guitarra e consegue cantar muito bem. Eu só não quero vê-lo a estragar tudo, até as pessoas dizerem que é o Vanilla Ice. Eu posso dizer-lhe isso. Tipo, ‘Não quero que te tornes uma anedota. Quando sais, não comeces m*rdas. Não saias sem camisola.’ Mas o ponto é,” ela diz com um riso, “Eu acho que os rapazes estão, tipo, sete anos atrasados. Por isso na sua cabeça ele tem 12 anos.”

Após alguns minutos, Cheyne traz a comida e vamo-nos embora. A caminho de casa, Miley põe algumas faixas do seu novo álbum, Bangerz, incluindo uma com Britney Spears e o produtor Mike Will Made It (que fez 8 músicas) e uma produzida por Pharrell (que fez 4).

De volta a casa, Miley inala atum picante à frente do seu computador. Ela quer ver o vídeo do seu single “Wrecking Ball,” que até à altura não tinha sido lançado. No ecrã, Miley nua aparece, lambendo uma marreta e a passear pelo local da destruição. Num plano aproximado da sua cara, ela deixa cair uma lágrima. “Foi real,” Miley diz orgulhosa. “O meu cão tinha morrido.”

Miley acha que as pessoas vão ficar chocadas quando o vídeo sair, porque é a última coisa que esperam dela: arte verdadeira. Ela quer ser levada a sério como artistas, não só na música, mas em tudo. Ultimamente ela tem andado na moda  – maioritariamente vintage Versace e Dolce de 1992, ano em que nasceu.

Nós olhamos para o sushi durante um bocado e depois Miley traz um bocado de brownies vegetarianos que o chef dela fez e toda a gente come. “Sabes,” ela diz passado um bocado, “quando eles me perguntaram o que eu queria fazer contigo, a minha outra sugestão foi sky diving. Mas tu disseste que não.”

Eu disse-lhe que é a primeira vez que ouço isso. Deviamos de fazer sky diving?

“Deviamos?” ela diz. “Seria divertido…”

Cheyne abana a cabeça. “Claro que não.”

“Eu sempre quis fazer,” ela diz. “Deve ser tão assustador. Deviamos fazê-lo.”

A primeira vez que Miley roubou o holofote foi quando tinha dois anos. Era Novembro de 1994 – uma semana após o seu segundo aniversário. O seu pai estava em Nashville para um talk show chamado Music City Tonight. Ele estava na parte baixa da sua fama, mas não por muito. O seu cabelo parece magnífico.

Ele está a ser entrevistado quando um dos apresentadores faz-lhe uma questão sobre, antes de ser casado, ele ter dois filhos. (De facto, as mães eram duas mulheres diferentes que estavam grávidas ao mesmo tempo.) Apanhado de surpresa, ele hesita por um segundo, tentando arranjar algo de positivo. Quando, como que a salvá-lo, sai Miley, um dos ditos bebés (Billy Ray casou com a mãe dela, Tish, em 1993) com um carrinho cor-de-rosa com um boneco de Willie Nelson dentro.

O público diz awwww. Billy Ray levanta-se e vai a correr para ela. Ela está a vestir um vestido com um colar às bolinhas, o seu cabelo meio loiro está em pé com um laço. A audiência aplaude e Miley também aplaude. As câmaras não se focam nela de todo. Ela sobe ao colo de um dos apresentadores e o seu pai diz-lhe para “olhar para a câmara e posa com os olhos uma vez.” Miley olha diretamente para a lente e revira os olhos teatralmente. Apenas dois anos e já uma estrela. “Isso é muito perigoso!” diz o apresentador. “Vais ter muitos problemas quando ela tiver, o quê, 12 ou 13?”

Billy Ray chamou à sua filha Destiny Hope porque pensava que era o seu destino trazer esperança ao mundo. (Ela legalmente mudou o seu nome para Miley, um apelido de infância, em 2008.) Ela cresceu numa quinta nos arredores de Nashville, perto de uma cidade chamada Thompson’s Station. “Não havia sequer luzes na rua,” ela diz. “O meu pai teve que por as luzes e os sinais stop porque não havia nada. Ele era tipo o presidente, porque a cidade nem teria luzes se não fosse por ele. Agora eles até têm Starbucks, é estranho.”

Em criança, Miley estava sempre lá fora. “Eu ainda sou meia semi-nudista, porque eu nunca tinha roupas vestidas,” ela diz. Ela cresceu a conduzir 4×4 (que ela adorava) e cavalos (que ela não tinha assim tanto interesse). Ela era engraçada, extrovertida, uma criança estranha que gostava da claque, Limp Bizkit e Hilary Duff. Às vezes ela ia em digressão com o seu pai e o seu trabalho era ir atrás do palco depois do concerto e apanhar a roupa interior para lá atirada. “Eu encontrava um sutiã mesmo grande e eu dizia, ‘Pai! Encontrei a tua maior fã!'” ela diz, a rir-se. O seu pai pagava-lhe 10 dólares.

Miley foi para uma escola evangélica privada durante um ano, até ela ser expulsa por a) roubar a scooter da sua professora ou b) dizer ao resto da turma o que “French Kissing” era. (Ela não tinha a certeza.) Ela tinha 11 anos quando fez a primeira audição para Hannah Montana. O seu pai não queria, mas ela convenceu-o. “Eu acho que ele não queria que eu me sentisse rejeitada pela indústria.”

A transformação de Miley desde a queridinha da América para o que raio ela é agora começou há 3 anos atrás quando ela foi para Detroit gravar o filme chamado “LOL.” “Detroit foi o sítio onde eu realmente senti que tinha crescido,” ela diz. “Foi só por um verão, mas eu comecei a ir a discotecas, onde arranjei a minha primeira tatuagem. Bem, não a minha primeira tatuagem, mas a primeira em que a minha mãe não precisou de consentir. Eu fi-la no 8 Mile! Eu menti ao tipo e disse-lhe que tinha 18. Eu fiz o coração no meu dedo e usei um penso por dois meses para a minha mãe não descobrir.” Ela também criou laços com a co-estrela do filme, Demi Moore, cuja relação instável com Ashton Kutcher estava a tornar-se uma grande história dos tablóides. “Foi fixe, porque eu acho que precisavamos uma da outra nessa altura,” Miley diz. “Precisavamos de sair de LA.”

Mas foi no último verão, em Filadélfia, onde ela descobriu o seu novo estilo. Ela estava a viver lá com Hemsworth, que estava a filmar um filme com Harrison Ford. “Melhor verão de sempre,” Miley diz. “Já foste ao South Street em Filly? Foi onde arranjei a minha primeira corrente. 16 dólates – não muito,” ela diz a rir-se. “Eu estava longe das pessoas por momentos e eu comecei a sentir a minha própria vibe. Eu comprei um par de Doc Martens. Rapei a cabeça. Conduzi um Ford Explorer. Eu integrei-me.”

Pouco tempo depois de começar a gravar Bangerz, Miley limpou a casa. “Basicamente cortei todos os laços,” ela diz. “Livrei-me do meu agente, da minha gravadora. Comecei de novo. Eu queria continuar com o meu agente, mas senti que” – a sua recente evolução – “podia tê-los assustado. Eu não penso que eles têm muita fé no que estou a fazer.”

Miley desde então contratou o agente de Britney Spears, Larry Rudolph, mas ela é que está em controlo. A sua vida é livre – nada de publicistas à sua volta, ninguém a dizer o que ela pode fazer. “Eu andava com tantos adultos quando era criança,” ela diz. “Agora não quero andar com adultos. Já fiz o trabalho difícil. Agora eu quero divertir-me.” O seu vídeo de “We Can’t Stop” foi inspirado por tanta diversão – uma festa de dois dias épica em casa com um monte de amigos que vieram de uma casa de um amgio nos Hills para a praia em Malibu e assim em diante. A um ponto, Miley adormeceu à frente da lareira e derreteu os seus Docs. No amanhecer toda a gente foi para o telhado para ver o sol nascer e Miley continuou a cantar a linha “We Can’t Stop” que é “This is our house, this is our rules.” mas reescreveu como, “This is our house, this is our roof (telhado).”

Nestes dias Miley tem andado próxima dos seus pais. Ela vê-los uma vez por semana. “O meu pai está sempre em casa,” ela diz. “Ele diz, ‘Não há nada para mim lá fora.’ por isso ele descontrai em casa e eu vou vê-lo.” Uma vez ela foi ao seu pátio e viu uma figura nos arbustos. “Eu pensei que ia ser morta,” ela diz, “e depois eu vou ver e vejo o meu pai a subir a vedação. Ele diz, ‘Amiga! Eu encontrei um caminho secreto por onde eu posso ir desde a minha casa até à tua sem ir à rua!’ E eu fiquei, ‘Pai, acabaste de passar no pátio de alguém.'”

Ela passa mais tempo com a sua mãe, Tish, que Miley diz que sonhava com ser uma artista mas nunca pode por causa da ansiedade. “Ela dançou ballet desde os 3 anos até aos 30, mas ela era muito tímida,” Miley diz. “Ela nunca conseguiria fazer isto, por isso queria isto para mim. Eu tenho ansiedade também, mas ela não quis que a minha ansiedade me travasse da maneira que fez com ela.” A sua mãe viaja com ela, mas consegue fazê-la sentir-se constrangida. “Quando ela está a ser vergonhosa, ela chama-me ‘sweet girl,'” Miley diz. “Quando nós estávamos a preparamo-nos para os VMAs e eu estava a pôr o meu fato de urso de peluche ela disse, ‘Sweet girl, queres ir ao penico antes de pôr o teu fato?’ E eu disse, ‘Mãe! O Kanye está mesmo aqui!”

Por um tempo, o pai de Miley estava mesmo chateado com as maneiras de ela festejar. Em 2011, deu uma entrevista à GQ onde disse que se pudesse voltar atrás e impedi-la de ser Hannah Montana, ele fá-lo-ia. Mas Miley diz que está num lugar melhor. “Nós temos uma relação diferente agora,” ela diz. “Agora posso ouvir as histórias loucas dele. Tipo, eu nunca soube que ele fumava erva. Eu pensei que o meu pai era um estranho. Agora eu sei que ele estava pedrado.”

Na manhã seguinte, Cheyne está na cozinha a preparar-se para a viagem. No seu quarto, Miley manda-lhe uma sms a dizer: “Eu acho que estou a ter um ataque de pânico.”

Nós decidimos em fazer sky diving. Toda a gente está assustada, mas ninguém quer ser o único a desistir. “Não acredito que vamos fazer isto,” Miley diz quando sai do quarto. Ela está a usar uma camisola de alças branco e calças vermelhas, com os seus totós de criatura. Ela compra dois Gatorades quando nos fazemos à estrada.

Nós estávamos a conduzir numa cidade chamada Perris, no deserto, à ida para Palm Springs. É a casa de Skydive Perris, supostamente um dos melhores lugares de sky diving no país. O plano era sair cedo o suficiente para os paparazzi não saberem que estávamos lá, mas dois deles já estavam lá. “Devemos dizer-lhes que lhes damos uma foto e depois que se pirem?” Miley pergunta.

Cheyne acena e estaciona. “Yo, damo-vos uma foto agora e depois não nos seguem durante o dia,” ele diz. O pap concorda.

“E depois piram-se?” diz Miley.

“Yeah.”

“Prometem?”

“Yeah.”

“OK,” Miley diz. Ela sai do carro e posa durante 30 segundos e depois lá vamos nós. (“Eu às vez dou-lhes uma foto e eles são fixes,” ela diz. “Eu não percebo os paparazzi. Não estamos na altura em que eles vendiam as fotos para as revistas. Agora só as põe na internet. Não sei como ganham dinheiro.”)

“O deserto é tão estranho,” Miley diz. “Aqui é onde todos os pedrados vivem. É como o Breaking Bad na vida real. Eles vão à loja local de tacos e vendem metanfetaminas. País de metanfetaminas. Cidade de metanfetaminas.”

Ela vira-se para o Cheyne. “Achas que vamos conseguir ver o oceano?”

“Se estiver limpo,” ele diz.

“Nós temos que continuar a fazer coisas loucas,” Miley diz. “Eu preciso da minha própria coluna na Rolling Ston onde todas as edições é só algo louco que eu faço.”

Faltam 15 minutos para chegarmos e ela aponta para a janela. “Oh, meu Deus,” Miley diz. “Conseguimos ver pessoas a cair do céu agora!” À frente, a uns kilómetros acima do horizonte, alguns pontos pretos estão a cair para a Terra. “Oh, meu Deus,” ela diz. “Porque é que aquele está a rodar? Ele está de cabeça para baixo! Ele acabou de ficar de cabeça para baixo!”

Nós entramos no parque de estacionamento, Miley conhece Scott Smith, o seu instrutor. “Confio em ti,” ela diz. “Mas tenho medo.”

“Ainda bem,” diz Scott. “Há dois tipos de pessoas que fazem o primeiro salto – os que estão com medo e os que metem.” Ele leva-a a assinar montes de papéis e Miley ri-se sobre a frase que diz, “Pára-quedas não funcionam todas as vezes.” Para o seu contacto de emergência ela põe o número da sua mãe; para o seu emprego, ela põe “desempregada.” “Se eu morrer,” ela diz ao Scott, “vocês estão f*didos.”

Enquanto esperamos pela nossa vez, Miley está lá fora a fumar cigarros quando uma dúzia de fãs aparecem para tirarem fotos com ela. Muitos deles elogiam a sua performance nos VMAs. “Põe a tua língua de fora!” uma avó diz-lhe. Depois é hora de nos prepararmos.

Quando nos pomos no avião, Miley e Cheyne dão as mãos. Subimos por 15 minutos. “Estámos quase a saltar deste avião,” Miley diz. Finalmente o avião está pronto, a porta abre-se, Miley e Scott vão para a beira da porta. Ela põe os dedos dos pés na ponta. Cheyne, que não parece estar feliz, ele grita. “Miley fucking Cyrus!” Mas ela já está fora da porta.

Seis minutos depois, está toda a gente a salvo no chão. “M*rda!” Miley diz. “Foi demais!” Ela liga à sua mãe e diz que está viva. “Uma coisa sobre sky diving,” ela diz, “sabes quem realmente amas quando fazes a primeira chamada.” Eu pergunto-lhe se ela falou com Liam. “Oh, m*rda!” ela diz, e tira o seu telemóvel. (Duas semanas depois, o casal anuncia o fim da relação.)

De volta ao carro, Cheyne abre o GPS e vê os seus locais de fast-food favoritos, uma cadeia SoCal chamada Baker’s. “É como um castelo branco mexicano “, diz Cheyne. “É tão bom “, diz Miley . Ela pede um taco de hambúrguer com tudo e um refrigerante gigante . “Nós simplesmente saltámos de um avião!”, diz ela. “Não me podem dizer mais nada”

No caminho de volta para L.A. , vibra o telemóvel de Miley. “É por isto que eu amo tanto o Pharrell”, diz ela, em seguida, lê um texto que ele enviou-lhe em voz alta. É pelo menos de 1.000 caracteres , ela continua sempre. “Os VMAs foi nada mais do que Deus ou o Universo a mostrar o quão poderoso qualquer coisa que fazes é “, diz ele num ponto. “É como o urânio – que tem o poder de controlar a vida ou países inteiros com o seu poder, agora que já viste o teu poder, domina-o.”

“Não és um acidente de comboio,” disse ele mais tarde. “És o comboio que puxa todas as pessoas.”

De volta a casa, Miley, cansada da adrenalina, sobe as escadas para descansar. Quando ela volta para baixo, poucas horas depois, ela ainda se sente estranha. ” Estás bem? “, pergunta ela. “Eu comecei a ficar zonza – eu tive que me sentar um bocado.” Ela respira profundamente. “O meu coração vai a mil kilómetros por hora. Acho que me deu um bocado de vertigens!” Na cozinha, Cheyne faz uma bebida – Gatorade e Malibu – e Miley recebe as suas mensagens. Ela verifica o seu telefone e lê um texto de Lil ‘Kim em voz alta: “Minha pequena abóbora, eu tinha que dizer-te que estás tão boa e inteligente, eu amo-te e toda a atenção que estás a ter. É triste eu não te ter encontrado nos VMAs. Continua a arrasar, linda!” Miley ri. “Minha pequena abóbora!”

Miley volta ao quarto para vestir-se. Quando ela volta para baixo, traz uma minissaia punk de couro preto e botas da Chanel, dois amigos apareceram: Thom, um ator australiano (é também colega de quarto de Cheyne) e Janelle, a sua namorada e designer de jóias.

Miley realmente não sai muito. (“Eu chamo-me Rapunzel com uma crista à beira da minha janela, a olhar para os paparazzi, apenas a querer sair de casa.”). Mas hoje nós vamos para o que ela promete ser o melhor clube em LA: Madhouse Beacher, no Hollywood Roosevelt Hotel.

Todos entram num SUV, com Miley a verificar o seu batom no banco do passageiro. Cheyne lidera o caminho, e toda a nossa tripulação é escoltada para uma mesa a que Miley chama de “gaiola.” O promotor dá -lhe um abraço e envia mais uma garrafa de vodka. O clube , que possui uma claque live-action show, variedade itinerante, sente-se como algo fora dos sonhos molhados de Stefon: Há um velho stripper em calças de couro, dançarinos com redes, um Psy em miniatura para dançar “Gangnam Style.” Amazon Ashley, a dançarina burlesca de dois metros que dançou com Miley nos VMAs, vem, em topless, exceto com tapa-mamilos, e dá -lhe um abraço enorme.

Ficamos até o clube fechar. Miley passa toda a noite a dançar numa mesa e a beber. Depois, Cheyne pede carros, e uma dúzia de amigos de Miley começam a empilhar-se para irem para casa do amigo Ryan no Hollywood Hills. O afterparty parece algo fora de Miley vídeo de “We Can’t Stop”: twerk, pessoas muito jovens festa numa casa que é agradável. De repente, Miley fica animada. “Esta é realmente a casa!”, diz ela. “O ‘ This is our house, this is our roof ” da casa – este é o lugar e estes são os manos!” Ela não consegue parar de sorrir. “Nós estamos realmente a viver a vida!”

Fonte | Tradução: MileyForeverFans






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